Para o nosso segundo WWOOF na Alemanha a gente decidiu continuar na belíssima região da Floresta Negra, mas dessa vez fomos para uma fazenda completamente isolada da civilização. A fazenda ficava no alto de um morro, sem outras fazendas por perto e a alguns quilômetros da cidade mais próxima.

Sem energia elétrica, sem água encanada e sem pressa nenhuma na vida. Assim foram as duas semanas que passamos nesse lugar incrível!

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O LUGAR

Fomos encontrar o casal dono da fazenda, Harald e Birgit, na belíssima cidadezinha de Schiltach, onde eles são proprietários de um simpático sebo. De lá pegamos a estrada para subir o morro e depois de cerca de 20 minutos de carro já não havia mais sinal de civilização além da rústica estradinha de terra. Pouco tempo depois já era possível avistar a estufa na entrada da fazenda e logo depois a simples porém adorável casa de madeira com telhas de pedra onde ficamos hospedados.

A casa, por opção dos donos da fazenda, não tinha eletricidade e nem água encanada. Ou seja, fazia-se muito uso de lanternas e velas e, na hora da “necessidade”, era preciso correr para um banheirinho que ficava num trailer do lado de fora da casa. Pra tomar banho tínhamos que esperar alguns dias para usar o chuveiro no prédio do sebo deles na cidade; na fazenda tínhamos que nos contentar com um paninho úmido pra pelo menos limpar um pouco o suor após o trabalho. A água que eles usavam vinha direto de uma fonte no alto do morro e era usada pra tudo, inclusive para conservar os alimentos que precisavam de alguma refrigeração.

A fazenda era pequena e com produção apenas para consumo próprio. Além da estufa tinha também um pomar, hortas, cabras, ovelhas e muitos gatos.

O TRABALHO

Depois das duas semanas de trabalho pesado que tivemos na fazenda anterior, o trabalho nesta fazenda foi bem tranquilo. A gente precisou trabalhar 4 horas por dia durante 4 dias por semana, o restante do tempo podíamos aproveitar como quiséssemos, seja na região da fazenda ou na cidade de Schiltach.

Alguns trabalhos que realizamos foram de plantação na estufa, capinagem, tirar ervas daninhas da horta, colher folhas secas pra fazer compostagem e proteger as plantas do sol, além de limpar a casa das cabras e das ovelhas. Como estávamos na época mais quente do verão, geralmente fazíamos 2 horas de trabalho pela manhã, até a hora que o sol ficava muito forte, e mais duas horas a tarde, quando já podíamos trabalhar na sombra.

A EXPERIÊNCIA

Mesmo sem termos trabalhado muito, essa experiência foi provavelmente a nossa preferida até agora. Ficar duas semanas sem eletricidade e internet, num lugar onde é realmente possível ficar em total silêncio, foi como recarregar nossas próprias baterias. A paz e calma de um lugar desses é algo muito difícil de descrever e de encontrar hoje em dia. Estar isolado da civilização e sem interferências externas além dos sons da natureza foi como ir de encontro a nós mesmos.

Outro ponto muito interessante dessa experiência foi com relação à alimentação. Na família com quem ficamos hospedados todos eram vegetarianos, a filha do casal inclusive durante toda sua vida (21 anos)! Além disso, eles só realizavam duas refeições por dia: um café da manhã generoso às 10h e um jantar às 19h. E podemos dizer que em nenhum momento tivemos fome realmente, e percebemos que normalmente estamos acostumados a comer muito mais do que realmente precisamos.

Só foram duas semanas, mas já foi o suficiente pra saber que as melhores e mais recompensantes experiências são aquelas que são impossíveis de conseguir sem sairmos da nossa zona de conforto.

WWOOF Alemanha - Jornada Viva

Com a nossa host Birgit