Desde que saímos do Brasil tínhamos o plano de fazer um work exchange vivenciando a rotina de alguma cidade europeia, trabalhar em um hostel por pelo menos um mês e ter uma experiência mais urbana. E depois de passar três meses dentro da área Schengen (conjunto de países em que é possível ficar no máximo 90 dias sem visto), tínhamos que pular para o leste europeu e no nosso leque de opções estavam a Croácia, a Bósnia, a Sérvia e a Romênia.

Depois de uma pesquisada nos sites do Workaway e HelpX quase descartamos a Croácia, já que o único hostel que nos interessamos dizia na descrição algo como “recebemos muito pedidos e provavelmente não iremos lhe responder”. Mesmo assim resolvemos arriscar e depois de alguns dias recebemos uma ótima surpresa na caixa de entrada do HelpX. Do litoral no norte da Polônia saímos então em direção ao litoral no sul da Croácia.

Não tivemos uma experiência mais urbana como era o primeiro plano, mas tivemos um mês de muita praia, sol, paisagens incríveis e tudo isso sem gastar quase nada. Muito melhor do que o planejado!

Trabalhando em um hostel em Dubrovnik - HelpX - Jornada Viva

O LUGAR

Dubrovnik é famosa pelas suas imponentes muralhas à beira do mar Adriático, sua cidade velha com arquitetura medieval e mais recentemente por ser cenário para o seriado Game of Thrones. Mas além disso é também um lugar com uma beleza natural impressionante,  vistas de tirar o fôlego e várias praias e lugares para tomar banho em águas cristalinas.

Pelas charmosas vielas do centro histórico, inúmero cafés e restaurantes dividem o espaço com pequenas hospedarias e casas dos locais. Nas praças principais igrejas, museus e muitos turistas. De cima das muralhas é possível ter uma vista completa da cidade e ver também várias ruínas que se confundem com vestígios da guerra de 1991, quando a Sérvia e Montenegro bombardearam a cidade durante a separação da Iugoslávia.

O hostel My Way ficava a cerca de 20 minutos de caminhada do centro histórico, o que por incrível que pareça era longe demais pra muita gente. Como a cidade fica encostada em um morro, é preciso enfrentar muitas escadas para ir pra qualquer lugar. Pra nós era a localização perfeita já que ficava no meio do caminho entre a parte mais turística e as melhores praias.

O TRABALHO

O trabalho no hostel foi basicamente de limpeza e recepção e foi diferente para cada um de nós. Enquanto a Brenda fazia a limpeza do hostel durante o dia, eu (Rafael) ficava na recepção no turno da noite.

Para a Brenda o trabalho era dividido em duas partes, a primeira era das 10h às 14h e a depois das 19h às 23h. Os serviços que eram feitos incluíam a limpeza dos quartos, banheiros, cozinha e saguão do hostel, trocar lençóis das camas, colocar a roupa de cama na lavadora e na secadora e tirar o lixo. Mas tudo isso dividido com uma outra voluntária e funcionários do próprio hostel. Apesar de ter um horário fixo, nem sempre havia trabalho pra fazer e como a pausa no meio do dia era bem longa dava até tempo de ir pra praia entre uma parte e outra do expediente.

Durante a noite o trabalho era basicamente de dar informações aos hóspedes, abrir a porta quando alguém chegasse, fazer check-in, colocar roupa de cama na lavadora e na secadora, limpar alguma coisa que precisasse no hostel e tirar o lixo. O trabalho começava às 23h e ía até às 7h do dia seguinte. Mas dessas 8 horas de expediente, só umas 2 horas eram de trabalho de verdade, o resto do tempo dava pra dormir no sofá que ficava na recepção, ler ou ficar no computador. E foi inclusive graças a essas horas de ócio noturno em Dubrovnik que este blog surgiu e os nosso primeiros vídeos do Youtube foram editados.

Ficamos durante um mês inteiro e o combinado era que a gente trabalhasse dia sim dia não. Na prática foi um pouco diferente porque acabamos trocando alguns dias com a outra voluntária e os outros funcionários e tivemos tanto dias de folga quanto dias de trabalho seguidos. No total tivemos 15 dias de trabalho e 15 dias de folga mesmo.

Como era setembro e o verão já estava acabando, o hostel não estava muito cheio e por isso, além de não termos muito trabalho durante o mês inteiro, tínhamos um quarto no hostel só pra nós dois.

As refeições não estavam inclusas no combinado, ao invés disso eles pagaram 1000 kunas croatas (cerca de R$600) pra cada, o que foi suficiente não só pra todos os gastos que tivemos em Dubrovnik, como também para gastos em outras cidades que visitamos na Croácia.

Trabalhando em um hostel em Dubrovnik - HelpX - Jornada Viva
Fotos: mywayhostels.com

A EXPERIÊNCIA

Tivemos a sensação de estar de férias durante toda a nossa experiência em Dubrovnik. Estávamos trabalhando, é claro, mas ainda assim parecia que trabalhávamos muito pouco por tudo o que estávamos recebendo em troca. Estávamos em pleno verão, cercados de praias e lugares incríveis e ainda sendo pagos pra isso.

Certamente levamos bastante sorte, sabemos que nem todo work exchange em um hostel é assim, até porque poucos lugares são como Dubrovnik. Mas é depois de experiências como essa que não entendemos como tão poucas pessoas viajam dessa maneira. Não pagamos hospedagem e nem alimentação, e se tivéssemos conhecido só Dubrovnik teríamos saído da Croácia com mais dinheiro do que entramos.

Em 30 dias gastamos em média 25 reais por dia (total pra nós dois) e isso só porque além de Dubrovnik também viajamos pra Split, ficamos 3 dias em Zagreb e ainda alugamos carro duas vezes, pra ir para o Parque Plitvice e pra conhecer a baía de Kotor em Montenegro.

Kotor - Trabalhando em um hostel em Dubrovnik - HelpX - Jornada Viva

A baía de Kotor, em Montenegro

Mas para aqueles que buscam uma experiência cultural mais imersiva, trabalhar em um hostel talvez não seja a melhor opção. Em um hostel, seja como hóspede ou como funcionário, estamos em contato diário com pessoas do mundo inteiro, e apesar disso é quase impossível ter um contato mais íntimo com alguém. Não passamos um dia sem conversar com alguém diferente, mas as pessoas estão sempre indo e vindo, às vezes antes mesmo de sabermos seus nomes. (Mas isso é apenas a opinião de um casal de introvertidos, é bom deixar claro.)

Por outro lado para aqueles que são mais extrovertidos, adoram festas e procuram acima de tudo uma maneira barata de viajar, é difícil imaginar uma opção melhor de viagem que o work exchange em hostels!

Confira o vídeo do nosso passeio pela Croácia